Os perigos do Movimento de Crescimento da Igreja (MCI) para a Revitalização de Igrejas

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Os perigos do Movimento de Crescimento da Igreja (MCI) para a Revitalização de Igrejas

Os perigos do Movimento de Crescimento da Igreja (MCI) para a Revitalização de Igrejas

As propostas atualmente disponíveis na literatura acadêmica sobre cres­ cimento da igreja, especificamente sobre revitalização de igrejas, caminham em pelo menos três direções. A primeira busca resgatar princípios bíblicos que normatizam a vida saudável de uma igreja local, organização missionária ou denominação. Esses princípios possuem pressupostos e princípios teológicos que buscam amparo nas Sagradas Escrituras e, assim, é possível encontrar autores que vão desde o catolicismo romano até ramos bem específicos do protestantismo. A ênfase assegurada nessa vertente é a saúde teológica de uma igreja. Assim, ao se estudar sobre a revitalização de uma igreja, busca-se analisá-la e aprová-la de acordo com os pressupostos ou princípios que podem considerar uma igreja saudável sob o ponto de vista de uma vertente teológica. Nesse sentido, duas perguntas podem brotar para o leitor: É possível estabelecer uma única vertente para diagnosticar a saúde de uma igreja? Uma igreja conforme uma perspectiva teológica terá necessariamente um crescimento numérico seguro e por algumas gerações?

A segunda direção acolhe os princípios bíblicos; contudo, busca conectá­-los com a prática diária e, assim, espera-se necessariamente um crescimento numérico por algumas gerações. Em outras palavras, a saúde de uma igreja local, organização missionária ou denominação deveria traduzir-se em crescimento numérico. Princípios bíblicos somados a estratégia bíblica produzem crescimento numérico. Também é possível levantar perguntas para esse grupo: Por que algumas igrejas aplicam os princípios bíblicos e as estratégias derivadas desses princípios e não crescem numericamente? Por que alguns grupos crescem sem que haja uma ação proativa em prol do crescimento? A terceira direção aponta esse crescimento espontâneo independente de proatividade segundo alguns princípios ou estratégias. Assim, sem um rol especifico de princípios aplicados ou estratégias utilizadas, algumas igrejas crescem por gerações e sobrevivem aos dilúvios culturais, de modo totalmente independente da ação planejada  do homem.

Neste artigo, busca-se construir uma trajetória do crescimento da igreja nos dias atuais observando preliminarmente as conexões dos movimentos globais, nacionais e locais de plantio de igrejas, focando especificamente no recente Movimento de Revitalização de Igrejas e nos perigos que experimentam seus articuladores em face do Movimento de Crescimento da Igreja (MCI). Esse movimento surgiu na segunda metade do século passado, ainda possui expoentes em vários lugares do mundo e pode atrair muitos ao pragmatismo de revitalizar buscando crescimento ou revitalizar buscando modelos ou, numa reação contrária, desconsiderar toda a vida numa igreja que não seja saudável à luz de alguns princípios ou fundamentos teológicos de um ou de outro ramo do cristianismo.

A partir de uma análise histórica do MCI, mesmo sem desprezar algumas críticas de autores reformados, buscar-se-á apontar que o movimento missio­nário ainda possui raízes profundas do MCI, especialmente na formulação de conceitos e estratégias e, em especial, na análise dos resultados do trabalho missionário numa determinada região, povo ou ação conjunta de redes de par­ceria missionária (networks). Espera-se, ao final, apontar uma posição coerente para responder aos questionamentos sobre revitalização de igrejas, servindo assim de termostato para aqueles que militam em projetos de revitalização.