Sua Igreja necessita de Revitalização? Como saber?

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Sua Igreja necessita de Revitalização? Como saber?

Sua Igreja necessita de Revitalização? Como saber?

Certamente toda igreja deveria ser repleta de vitalidade, pois ela é o corpo do Cristo vivo sobre a terra (cf. Rm 12.5; 1Co 12.12, 27; Ef 4.12; 5.23). No entanto, as Escrituras revelam e a realidade comprova que a igreja visível experimenta momentos de declínio e perda de vitalidade no mundo atual. Não há nenhuma contradição nesse sentido, pois seu caráter multiforme possibilita que a igreja triunfante permaneça vitoriosa nos céus, ao passo que a igreja militante enfrente, na dispensação atual, inúmeras provas e dificuldades na terra que afetem seu vigor. Nessas ocasiões de abatimento e declínio a igreja necessitará revitalização.

Até recentemente, o Movimento do Crescimento da Igreja (MCI) era um dos tópicos mais debatidos na missiologia protestante. Essa discussão contribuiu para o refinamento da abordagem de vários outros temas relacionados à atividade missionária da igreja, tais como: missão integral, evangelização urbana, plantação de igrejas, etc. Nos últimos anos, porém, observa-se grande atenção dada à importância da revitalização da igreja local. Nos Estados Unidos, por exemplo, esse enfoque é perfeitamente compreensível, pois desde a década de 1990 “mais de 80% das igrejas americanas estabelecidas estão estagnadas ou em declínio”. Em se tratando da realidade evangélica brasileira, conquanto ela ainda não tenha sido analisada estatisticamente, parece haver indicadores suficientes de que aqui também há muitas congregações carentes de revitalização.

O interesse acerca da revitalização de igrejas parece ser justificado por, ao menos, três vantagens relacionadas a esse processo. Em primeiro lugar, o benefício econômico, pois uma igreja em declínio, diferentemente daquela que se inicia, já possui patrimônio e acomodações para suas atividades regulares. A revitalização não implica necessariamente em maiores gastos, e possui o potencial do aproveitamento da estrutura física existente. Também, a revitalização contribui com o progresso missionário, pois seu resultado final pode ser um testemunho concreto de amor cristão pelos enfraquecidos e abatidos, bem como a redescoberta da alegria de se anunciar o evangelho à vizinhança. Por último, há a utilidade estratégica, pois, considerando que uma igreja sempre se reproduz, uma congregação revitalizada se multiplicará em igrejas saudáveis. Nesse sentido, o cuidado pela revitalização antes da multiplicação de igrejas parece atender a lógica do bom senso. Por essa razão, considerando os prós e contras da revitalização de igrejas, tem havido consenso geral quanto ao fato de que essa é uma atividade fundamental ao cristianismo contemporâneo.

É difícil desenvolver um diálogo proveitoso sobre revitalização de igrejas sem uma definição específica do assunto. Nesse sentido, há concordância entre os estudiosos de que revitalização diz respeito a “restaurar a vida de igrejas em declínio, abordando a causa do abatimento, e edificando-as em direção à fidelidade”. Tom Cheyney interpreta a questão de maneira mais organizacional e define revitalização de igrejas como um “movimento dentro do evangelicalismo” contemporâneo. Todavia, a perspectiva mais acertada sobre esse assunto parecer ser aquela que descreve a revitalização de igrejas teologicamente, como um processo ao invés de um movimento ou organização. Assim, Michael Ross insiste que revitalização é

processo por meio do qual uma igreja é redirecionada à sua missão de evangelização e edificação, bem como renovada no esforço de ministrar aos outros de tal forma que o crescimento numérico, espiritual e organizacional se torna uma realidade.

Assim, nesse processo, a participação humana na análise do contexto, identificação do problema e aplicação dos princípios bíblicos em prol da re-cuperação da igreja local é imprescindível.

Outra questão que necessita de maiores esclarecimentos diz respeito ao processo pelo qual é possível se obter um diagnóstico acurado acerca da condição da igreja local. Como saber se uma igreja precisa de revitalização? Quais sintomas deveriam ser considerados ou ignorados? Como ocorre em outras áreas, há alguns indícios que são reveladores e outros completamente irrelevantes e que acabam distraindo as pessoas envolvidas no processo. Análises equivocadas e conclusões apressadas ou tardias podem resultar em efeitos danosos à igreja local. Assim, este artigo procura considerar a possibilidade do diagnóstico eclesiástico a partir de uma perspectiva bíblica e teológica. Para tanto, serão realizados dois procedimentos básicos: a exclusão de alguns elementos passíveis de enganos e confusões e, por outro lado, a concentração em alguns princípios bíblicos norteadores para uma análise precisa sobre o assunto. No final, espera-se que essa reflexão resulte em benefícios práticos para a liderança das igrejas locais.